Maioria dos grandes clubes de Rio e São Paulo não deve participar de reunião com governo sobre proibição das bets, marcada para 3ª feira
O encontro foi articulado pelo governo para discutir principalmente a perda de receitas dos clubes com patrocínios de casas de apostas. A medida provisória que proibiu a exploração e a publicidade de bets foi publicada na 6ª feira (25.set).
O Corinthians deve participar do encontro. O clube está em negociação com a Caixa Econômica Federal por causa da dívida da Neo Química Arena e busca manter o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é torcedor do clube, próximo das tratativas.
O Palmeiras, afirmou que está aberto a conversar com o governo federal, mas considera que o contexto atual, com as eleições marcadas para o próximo domingo (4.out), não é adequado para a realização da reunião.
O alviverde também avalia que o assunto é complexo demais para ser tratado de forma tão rápida e sem a devida avaliação dos impactos da medida pelo próprio governo.
A reunião deve contar com representantes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e dos ministros do Esporte, Paulo Henrique, da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti.
Em 2025, as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, valor equivalente a cerca de 36% da receita de marketing dessas equipes, segundo levantamento da Sports Value.
O noticias sem censura procurou as assessorias de imprensa da Secretaria de Comunicação Social e dos ministérios do Esporte, da Fazenda e do Planejamento, por e-mail, para saber se gostariam de se manifestar sobre as informações. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso haja manifestação.
Cronograma da proibição
A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão ser bloqueados no país. Os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas.
A publicidade, os novos patrocínios e as promoções de bets foram proibidos com efeito imediato. Peças publicitárias e contratos já existentes poderão permanecer até 5 de outubro.
Antes da publicação da medida, empresas de apostas haviam comunicado a clubes a possibilidade de rescindir contratos caso o governo proibisse a operação do setor.
Criminalização
Além da MP, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para criar crimes relacionados às apostas de quota fixa. A proposta prevê pena de 4 a 6 anos de reclusão e multa para quem explorar, operar, oferecer, receber, registrar ou intermediar apostas, mesmo com autorização de uma autoridade estrangeira.
O texto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República para virar lei
Alguns dos clubes convidados para uma reunião em Brasília com ministros planejam um boicote e não terão representantes no encontro em que será discutido o cenário do futebol depois da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que baniu a operação das bets no País.
O encontro está marcado para esta terça-feira, às 15h. O convite partiu do Ministério do Esporte, por meio de ofício enviado na manhã desta segunda-feira, 28, pelo ministro Paulo Henrique Perna Cordeiro. O documento foi direcionado a todos os clubes das Séries A, B, C e D, além das federações estaduais, com intermediação da CBF.
Foi o presidente da CBF, Samir Xaud, que recebeu o ofício do gabinete do ministro do Esporte. O encontro, segundo o governo, foi planejado para discutir o “fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro”.
No documento, o ministério também pede a colaboração da CBF na articulação e mobilização para garantir “uma participação ampla no encontro”.
Entre os paulistas, Palmeiras, São Paulo e Santos decidiram não enviar representantes. O noticias sem censura apurou que a presidente Leila Pereira e os cartolas do time alviverde estão abertos a conversar com o governo, mas entendem que o contexto atual, com eleições marcadas para o próximo domingo, não é adequado para a realização da reunião.
O Palmeiras também entende que o assunto é muito complexo para ser tratado sem a devida avaliação dos impactos da medida que baniu as casas de apostas no Brasil.
Chapecoense e Mirassol, entre os times da Série A, e Cuiabá, que disputa a Série B, não devem ser representados na reunião. É esperado que os quatro grandes do Rio - Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco - também não mandem dirigentes a Brasília.
Um presidente de clube da Série A ouvido pela reportagem disse que as discussões promovidas pelo governo neste momento não o animam.
“Uma reunião a praticamente uma semana da eleição, após o absurdo jurídico praticado pelo governo, não me traz esperança de algo concreto”, ele afirmou.
Para o cartola, o encontro, para o qual foram convidados mais de 150 dirigentes, não servirá para resolver “coisa alguma”. “Acho que é para confundir”.
Já Atlético Mineiro, com o CEO Pedro Daniel, Corinthians, com o presidente Osmar Stábile, e Inter decidiram que vão ao encontro.
Os três estão à frente de conversas com o governo para a criação de um programa de renegociação de dívidas, com linha de crédito de até R$ 20 bilhões que o governo pretende oferecer aos clubes para mitigar o impacto da perda dos contratos de patrocínio com as casas de apostas. Os dirigentes, no entanto, fizeram esse pedido de “socorro financeiro” há meses, bem antes de as bets serem proibidas.
Em 2025, as bets despejaram mais de R$ 1 bilhão nos contratos de patrocínio com os times do Brasileirão. A própria competição é patrocinada pela principal empresa do mercado, a grega Betano.
Todas as 27 federações estaduais também foram convidadas, incluindo a Federação Paulista de Futebol, que decidiu não ir. A entidade organizou uma reunião com seus filiados nesta segunda-feira.
Segundo a FPF, a reunião de emergência foi organizada para “alinhamento e avaliação” do impacto da medida provisória que vetou as casas de apostas no País.
“FPF e Clubes seguirão discutindo o tema e definiram que seguirão atuando sempre de forma coletiva, visando o melhor para o futebol”, disse a entidade.

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